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Casario Colonial

O arraial que se formou ao redor da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré não era alimentado pelo ouro abundante de Ouro Preto ou Mariana. Era um assentamento de mineradores que ficaram, de agricultores, de tropeiros e de trabalhadores livres e escravizados que construíram uma comunidade à margem do grande ciclo aurífero. Com isso, Santa Rita Durão desenvolveu uma arquitetura residencial mais modesta e funcional, destoando dos sobrados monumentais dos dois territórios vizinhos.

Séculos depois, esses traços no casario remanescente são considerados um importante registro histórico da vida cotidiana colonial mineira comum. As casas apresentam características barrocas, com presença predominante da técnica da taipa nas mais antigas e da pedra e da cal nas que foram construídas a partir do final do século XVIII. Costumavam ser de dois ou três pavimentos no máximo e eram usadas tanto para fins domiciliares (geralmente no piso superior) como para comércio (nos pisos inferiores).

O casario colonial de Santa Rita Durão é o que dá escala humana ao conjunto monumental do distrito. Enquanto a Matriz impressiona pela arte barroca e a Casa com Rótulas surpreende pela raridade tipológica, é o casario — com suas paredes de taipa, seus telhados de barro e suas janelas de madeira — que conta a história dos que não eram poetas, pintores ou escultores: os lavradores, os artesãos e as famílias que fizeram de um arraial de ouro pobre uma comunidade duradoura. Preservá-lo é preservar não apenas pedra e barro, mas a memória do modo de vida colonial mineiro em sua expressão mais cotidiana e irrepetível.