Matriz de Nossa Senhora de Nazaré

Matriz de Nossa Senhora de Nazaré

Abençoada em 1729 pelo sargento-mor Paulo Rodrigues Durão (pai do poeta Frei José de Santa Rita Durão, que dá nome ao distrito), é o tesouro central: fachada barroca simples com torre sineira, nave única e talhas douradas modestas que narram a devoção aos “miráculos” das minas – tombada pelo IPHAN como uma das expressões mais puras do barroco religioso mineiro.

Possui dois corredores laterais, abertos à nave principal por meio de arcos e encimados por galerias superiores, conferindo à capela a aparência de possuir três naves. Outra peculiaridade é a varanda posterior, criada pela continuação do telhado da capela-mor, que possivelmente servia como abrigo de animais. O altar colateral do lado do Evangelho é atribuído a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Externamente, a Matriz segue o padrão das grandes igrejas mineiras do primeiro quartel do século XVIII. É uma fachada sóbria, com frontão triangular encimado por cruz e um óculo envidraçado em forma de trevo — característica incomum e elegante. 

O teto possui uma pintura que segue o estilo rococó, em perspectiva ilusionista, convergindo para o painel central, onde está representado o milagre de Nazaré: a Virgem nos céus protegendo o cavaleiro Dom Fuas Roupinho à beira do penhasco, enquanto o veado caçado voa para o abismo.

Nas extremidades do teto, estão os apóstolos São Pedro, com as chaves pontifícias (arco-cruzeiro), e São Paulo, com a espada (coro). Nas laterais, as figuras do dominicano São Tomás de Aquino e do franciscano São Boaventura. Nos quatro cantos, em balcões, estão os quatro grandes doutores da Igreja.

A qualidade da pintura é ingênua, apresentando, entretanto, traçado elegante dos concheados e da rocaille. Esta pintura é atribuída a João Batista de Figueiredo, um dos mais conceituados pintores nas Minas Gerais do século XVIII.