Sinha Olimpia

Sinhá Olímpia

Descrita por Rita Lee como “a primeira hippie do Brasil”, Olímpia nasceu em Santa Rita Durão em 31 de agosto de 1889. Era a penúltima filha de uma família de 16 irmãos. Cresceu na mesma casa que pertencera a Frei José de Santa Rita Durão.

Ficou conhecida por ser considerada uma mulher à frente do seu tempo, muito culta, bilíngue, com gosto pela poesia e pela música. Trabalhou como professora no início da vida adulta e chamava muito a atenção dos rapazes pela sua beleza. Na juventude, apaixonou-se por um estudante de Farmácia de Ouro Preto, mas o romance foi proibido pelos seus pais, uma vez que ele não pertencia a sua classe social. O jovem faleceu pouco tempo depois, o que a impactou muito. Era o início da “Sinhá Olímpia”.

Segunda ela mesma contou, ele teria lhe dado antes de morrer um abacate envenenado como vingança pelo desejo frustrado. Depois disso, ela entrou em depressão e passou a ficar chorando na janela e murmurando coisas sem sentido. Há quem diga, no entanto, que essa lenda foi inventada por Olímpia para explicar o motivo de nunca ter se casado sem revelar que na verdade era lésbica, o que não seria aceito na época.

Fato é que ela se mudou para Ouro Preto e depois passou boa parte da sua vida como andarilha, caracterizando-se por um jeito exótico e espalhafatoso de se vestir, com chapéus enfeitados e roupas coloridas que viraram sua marca registrada. Pedia esmolas contando histórias mirabolantes e compartilhava parte do que ganhava com os mais necessitados. Essas histórias a fizeram famosa principalmente com os turistas que visitavam a cidade. Dizia ter conhecido Tiradentes, Dom Pedro I, Princesa Isabel, entre várias outras figuras importantes do passado do país.

Posteriormente, chegou a conhecer de fato grandes personalidades, como Juscelino Kubitschek, Vinícius de Morais, Tancredo Neves e apareceu até mesmo em uma foto com Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir quando visitaram Ouro Preto em 1959. Foi homenageada por diversos artistas, como Toninho Horta, Milton Nascimento e Carlos Drummond de Andrade. 

Morreu aos 87 anos, em 1976, mas sua memória permanece viva na cultura popular brasileira. Foi tema de um samba-enredo da Mangueira no Carnaval de 1990 e homenageada como tema do Carnaval de Ouro Preto neste ano, no qual foram completados 50 anos desde sua morte.